Dobradinha Haddad e Arida é vista como “balão de ensaio”

Indefinição de nomes trava trabalhos da transição; Arida nega convite

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As incertezas quanto aos nomes dos futuros integrantes da equipe econômica do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não afetam apenas a tramitação da PEC da Transição e as expectativas do mercado financeiro.

Conforme apurou o InfoMoney, a indefinição dos nomes por Lula está travando os trabalhos da própria equipe de transição.

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Segundo fonte com conhecimento no assunto, o grupo de trabalho já teria praticamente concluído seu relatório com o diagnóstico macroeconômico do país, mas as propostas, a esta altura, teriam que ser alinhavadas com os futuros ministros da Fazenda e do Planejamento.

Nos últimos dias, integrantes do PT lançaram um balão de ensaio sobre uma possível “dobradinha” nas pastas com Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, ocupando o Ministério da Fazenda ao lado do economista Persio Arida, que ficaria com o Ministério do Planejamento.

Figura próxima de Alckmin, Arida integra hoje o grupo de trabalho da economia da equipe de transição ao lado dos economistas André Lara Resende, Guilherme Mello e Nelson Barbosa.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Arida disse não ter “intenção alguma de ter cargos em Brasília” e que o suposto convite para assumir uma posição na Esplanada dos Ministérios “ não passa de um devaneio de algumas agências de notícias”.

Conforme apurou o InfoMoney, a notícia de suposta dobradinha com Haddad teria incomodado Arida, que se manteve longe dos holofotes ao longo das três semanas de trabalho no grupo da transição.

Segundo pessoas próximas ao economista, a percepção é que o nome de Arida teria sido ventilado por petistas como uma espécie de ensaio para suposta parceria de Haddad com um economista liberal de peso.

Diante da já conhecida resistência do mercado a Haddad, a indicação de Persio, um dos pais do Plano Real e presidente do Banco Central e do BNDES no governo de Fernando Henrique Cardoso, seria uma forma de acalmar os agentes econômicos.

 

Apesar de ter crescido a percepção dentro e fora do PT de que Haddad seria o escolhido para ocupar o Ministério da Fazenda, figuras próximas de Lula dizem que o martelo ainda não foi batido.

Nos bastidores, a participação de Haddad em almoço organizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) representando Lula – que se recupera de cirurgia na garganta – foi vista como um teste.

O discurso aos banqueiros, no entanto, gerou reações distintas – inclusive no meio político, conforme apurou o InfoMoney. “Ele saiu pela tangente”, resumiu um político vinculado ao partido e que mantém conexões com Lula.

Em condição de anonimato, essa fonte disse que, apesar de Haddad ser hoje visto como o favorito para a posição, o martelo ainda não foi batido por Lula.

Segundo ele, o presidente eleito ainda estaria à procura do nome ideal: um economista heterodoxo que não assuste o mercado. Haddad, entretanto, ainda é o favorito nas bolsas de apostas do partido e pode ficar com cargo, a despeito da insatisfação de agentes econômicos.

Na avaliação deste político, as dificuldades com a PEC da Transição pressionam Lula a anunciar os nomes da equipe econômica de seu governo. Mas ele acredita que é possível que um “plano B” para a proposta ganhe força nos próximos dias, como a postergação da votação do Orçamento e da própria discussão da PEC para o ano que vem.

Na quinta-feira (24), o senador Jaques Wagner (PT-BA), nome de confiança de Lula, escalado para auxiliar nas negociações em torno da PEC da Transição, afirmou que a definição de um nome para o Ministério da Fazenda para o próximo governo poderia ajudar no avanço da matéria. A fala gerou controvérsia no PT. Também há ceticismo quanto à habilidade política de Haddad para destravar a proposta no Congresso a menos de um mês do recesso.

Fonte infomoney
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