Número de reclamações contra companhias aéreas cresce 83% em 2022

Constatação faz parte de um levantamento feito pela reportagem da CNN com base em dados compilados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon)

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O número de reclamações contra as companhias aéreas no Brasil cresceu 83% nos primeiros quatro meses de 2022, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. A constatação faz parte de um levantamento feito pela reportagem da CNN, com base em dados compilados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), entidade ligada ao Ministério da Justiça.

Entre janeiro e abril de 2022, as companhias aéreas registraram quase 55 mil reclamações. No mesmo período do ano passado, o setor teve 29,9 mil ocorrências. Em momentos anteriores à pandemia de Covid-19, os números eram bem mais modestos. Em 2019, por exemplo, as empresas aéreas tiveram 11,9 mil reclamações.

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Os dados da Senacon apontaram ainda as três principais reclamações feitas pelos passageiros em 2022. Em primeiro lugar aparece a dificuldade do consumidor para reaver o dinheiro após o cancelamento da viagem. Logo na sequência, na segunda e terceira posição, despontam a resistência em cancelar as passagens aéreas já compradas e a dificuldade em entrar em contato com as companhias.

“Existem duas possibilidades para o grande número de reclamações. Ou elas [companhias aéreas] não estão respeitando as regras emergenciais, que regulam o reembolso ou remarcação, ou elas não estão orientando de forma correta os consumidores”, explicou Laura Tirelli, Diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.

O casal Daniela Barbosa e Lucas Martinez estão entre os brasileiros que sofreram para remarcar a passagem aérea. A viajem, inicialmente marcada para o início de 2020, precisou ser adiada em razão do início da pandemia de coronavírus. No ano seguinte, após a melhora no cenário epidemiológico, o casal tentou redefinir a data para o passeio. No entanto, com as dificuldades impostas pela companhia aérea, eles precisaram entrar na justiça para conseguir viajar. E somente depois de um ano e meio de litígio judicial, Daniela e Lucas embarcaram rumo a Miami na última quinta-feira (19).

“Eles [empresa aérea] até entraram em contato com a gente, mas sempre com soluções absurdas. Um exemplo foi quando eles ligaram em uma segunda-feira, e sugeriram marcar a viagem para a terça-feira, ou seja, no dia seguinte. Ninguém viaja internacionalmente sabendo a data da viagem com um dia de antecedência. Outra sugestão que deram também foi a remarcação da passagem apenas da minha esposa, para ela ir sozinha. Não tem como levar a sério. Mas no fim, depois de muito esforço, deu certo”, afirma Lucas Martinez.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) disse que não vai se manifestar sobre o assunto.

Fonte cnnbrasil
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