Ele já fez bico num lava-jato. Hoje, ergue imóveis de luxo na Bahia e tem R$ 1,5 bilhão em terrenos

O primeiro destino da Nampur será em Minas Gerais e observa oportunidades também em Santa Catarina, São Paulo e em outras cidades da Bahia

Tempo estimado para leitura: 4 minuto(s)


A incorporadora Nampur está expandindo os horizontes de atuação para além das paisagens de Arraial d’Ajuda, Trancoso e Praia do Espelho, distrito de Caraíva, no sul da Bahia, onde mantém os seus empreendimentos. Criada em 2016 e concentrada na construção de imóveis de luxo, a empresa procura por novos ecossistemas conhecidos por belas paisagens e conformações geográficas e com potencial de gerar valor aos seus negócios.

-- Publicidade --

-- Publicidade --

O primeiro destino será em Minas Gerais, onde assinou um contrato em uma área com R$ 650 milhões de VGV (Volume Geral de Vendas), de acordo com Victor Meireles, CEO e fundador da Nampur, nome criado a partir da aglutinação dos termos “natureza” e “pura”.

A incorporada tem observado também outras áreas, como Itacaré e Maraú, também na Bahia, o interior paulista e em Santa Catarina, como a Praia do Rosa. “O nosso momento é de levar essa proposta de valor para outros locais do Brasil”, afirma Meireles.

Na Bahia, a empresa reúne 12 empreendimentos – ou vilas, como o executivo chama. São condomínios com casas projetadas para ter uma relação harmoniosa com a natureza, oferecerem senso de exclusividade, segurança e acesso fácil às belezas que cercam a região.

Qual o modelo da Nampur

Entre os projetos, alguns já estão de pé, outros estão em construção e há também aqueles que ainda devem ser lançados ao mercado. Para além, a incorporadora detém um estoque de terrenos na região estimado em R$ 1,5 bilhão de VGV.

O modelo ao estilo de vilas começou a ser adotado pela empresa em 2019. Até então, tinha investido em casas grandes, como uma que chegou a 1500 metros quadrados e chega hoje ao valor de R$ 35 milhões.

O novo conceito, em terrenos que variam entre 20 mil e 40 mil metros quadrados, oferece como opções construções menores, com cerca de 350 metros quadrados. Os valores de cada imóvel ficam em torno de R$ 7 milhões, a depender do projeto. “Quando acertamos o formato de vila, aí o negócio foi. Isso também te dá tração para consolidar as áreas”, diz.

No formato, assinado por um arquiteto e um paisagista, a despeito de os imóveis poderem ter configurações diferentes, o projeto é arquitetonicamente homogêneo. Isso permite que a incorporadora crie uma linha de produção, ganhando escala no desenvolvimento do projeto, por exemplo, ao usar o mesmo tipo de recurso para o telhado, paredes, entre outras áreas da construção.

E parece ter agradado ao público, uma clientela que reúne herdeiros de banco, empresários e altos funcionários de grandes companhias. Para este ano, a empresa estima faturamento de R$ 87 milhões. O valor representa uma alta de 61% sobre os R$ 54 milhões movimentados em 2021.

Qual a trajetória até a empresa

Paulista da Santo André, cidade na região do ABC, Meireles diz que começou a frequentar o sul da Bahia ainda criança com a família. Ele é filho de Adelson de Sousa, profissional com fez história no mercado de tecnologia e foi responsável por trazer a revista Byte ao país, depois comprada pelo grupo Globo, em 1997.

Antes de casar o mercado imobiliário e à região como empreendedor, passou por outros setores, apesar de ter chegado há pouco na casa dos 30 anos.

Inquieto, começou a trabalhar com 9 anos em um lava-rápido nos fins de semana por vontade própria, como “desejo de garoto”. Depois, passou por um restaurante, onde ajudava nas atividades de arvorismo e onde empreendeu pela primeira vez, comercializando horas de “buggy” da marca Fapinha, brinquedo que fez sucesso entre as crianças entre a década de 1990 e o começo do século.

Até chegar à Nampur, Meireles, que é formado em administração de empresas, ainda teve uma empresa de eventos com foco na formatura de turmas do colegial e foi sócio da “iai? Instituto de Artes Interativas”, que nasceu oferecendo cursos para o desenvolvimento de aplicativos Android e iOS e também a criação de aplicativos para empresas.

Como chegou à Bahia

Com a venda da sua parte de 30% na companhia, o que rendeu cerca de R$ 4 milhões à época, em 2015, mais earnouts (valores pagos ao antigo acionista normalmente relacionado a ganhos futuros da empresa) por dois anos, começou a Nampur com o sócio Leonardo Santos, a quem conheceu enquanto procurava um apartamento para comprar na Berrini, em São Paulo.

“Eu sempre fui um cara de querer olhar mais para o longo prazo. Essa capacidade de você criar, desenhar, planejar e licenciar, todo esse ciclo da incorporação, me chamou muito a atenção”, afirma Meireles, sobre a escolha pelo mercado imobiliário.

O vínculo pessoal com o sul da Bahia, destino frequente de suas viagens, aliado à análises de mercado e de oportunidades, levaram à tomada de decisão por investir na região. Entre os pontos considerados, a logística, a proximidade dos aeroportos, rede hoteleira, segurança, gastronomia, história, cultura e a oferta de entretenimento e esportes.

Desde o início, a Nampur tem se financiado com capital próprio e alavancagem de vendas – ao longo do tempo, ganhou também um novo sócio-investidor, Luis Carlos Nacif, fundador da empresa de TI Microcity. Nos anos iniciais até buscou recursos em bancos, mas não teve sucesso.

Com os novos movimentos, calcula que precisará de valores entre R$ 100 milhões e R$ 130 milhões que serão usados para a execução dos projetos ao longo dos próximos três anos, montantes que devem ser buscados tanto com fundos de investimento quanto em instituições bancárias.

Fonte exame
você pode gostar também
×