Novos estudos apontam que animais vendidos em mercado de Wuhan causaram pandemia de Covid

Pesquisadores determinaram que os primeiros casos estavam centrados no local entre os vendedores que vendiam ou pessoas que faziam compras lá

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Em junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que os cientistas continuassem pesquisando todas as possíveis origens da pandemia de Covid-19, incluindo a teoria de um vazamento de laboratório.

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Dois estudos recém-publicados adotaram abordagens totalmente diferentes, mas chegaram à mesma conclusão: o mercado de frutos do mar de Huanan em Wuhan, na China, foi provavelmente o epicentro do coronavírus.

Os estudos foram divulgados on-line como pré-prints em fevereiro, mas agora passaram por revisão por pares e foram publicados nesta terça-feira (26) na revista Science.

Em um deles, cientistas de todo o mundo usaram ferramentas de mapeamento e relatórios de mídia social para fazer uma análise espacial e ambiental.

Eles sugerem que, embora as “circunstâncias exatas permaneçam obscuras”, o vírus provavelmente estava presente em animais vivos vendidos no mercado no final de 2019.

Os animais foram mantidos próximos e poderiam facilmente ter trocado germes entre si. O estudo, entretanto, não determina quais as espécies poderiam estar doentes.

Os pesquisadores indicaram que os primeiros casos de Covid-19 estavam centrados no mercado entre os trabalhadores que vendiam esses animais vivos ou pessoas que faziam compras lá.

Eles acreditam que havia dois vírus separados circulando nos animais que se espalharam para as pessoas.

“Todos os oito casos de Covid-19 detectados antes de 20 de dezembro eram do lado oeste do mercado, onde também eram vendidas espécies de mamíferos”, aponta o estudo.

A proximidade de cinco barracas que vendiam animais vivos ou recém-abatidos foi preditiva de casos humanos.

“O agrupamento é muito, muito específico”, disse o coautor do estudo e professor do Departamento de Imunologia e Microbiologia da Scripps Research, Kristian Andersen.

O padrão “extraordinário” que surgiu do mapeamento desses casos foi muito claro, afirmou outro coautor, Michael Worobey, chefe do departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade do Arizona.

Os pesquisadores mapearam os primeiros casos que não tinham conexão com o mercado, acrescentou Worobey, e essas pessoas viviam ou trabalhavam nas proximidades do local.

Esta é uma indicação de que o vírus começou a se espalhar entre pessoas que trabalhavam no mercado, mas depois começou a rondar pela comunidade local circundante. Quando os vendedores entraram nas lojas locais, eles infectaram as pessoas que trabalhavam nesses estabelecimentos”, considera o chefe de departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade do Arizona.

O outro estudo adota uma abordagem molecular e parece determinar quando as primeiras infecções por coronavírus passaram de animais para humanos.

A versão mais antiga do coronavírus, mostra esta pesquisa, provavelmente veio em diferentes formas que os cientistas chamam de A e B. As linhagens foram o resultado de pelo menos dois eventos de transmissão entre espécies em humanos.

Os pesquisadores sugerem que a primeira transmissão de animal para humano provavelmente aconteceu por volta de 18 de novembro de 2019 e veio da linhagem B. Eles encontraram o tipo de linhagem B apenas em pessoas que tinham uma conexão direta com o mercado de Huanan.

Os autores acreditam que a linhagem A foi introduzida em humanos a partir de um animal dentro de semanas ou mesmo dias após a infecção da linhagem B. A linhagem A foi encontrada em amostras de humanos que viveram ou permaneceram próximos ao comércio.

“Essas descobertas indicam que é improvável que o Sars-CoV-2 tenha circulado amplamente em humanos antes de novembro de 2019 e definem a estreita janela entre quando o Sars-CoV-2 saltou pela primeira vez para os humanos e quando os primeiros casos de Covid-19 foram relatados”, ressalta o estudo. “Tal como acontece com outros coronavírus, o surgimento do Sars-CoV-2 provavelmente resultou de vários eventos zoonóticos”.

Andersen disse que os estudos não refutam definitivamente a teoria do vazamento de laboratório, mas são extremamente persuasivos, tanto que ele mudou de ideia sobre as origens do vírus.

“Eu mesmo estava bastante convencido do vazamento do laboratório, até que mergulhamos nisso com muito cuidado e analisamos muito mais de perto”.

“Com base em dados e análises que fiz na última década em muitos outros vírus, me convenci de que, na verdade, os dados apontam para esse mercado específico.”

Worobey confirmou que também achava que o vazamento do laboratório era possível, mas a preponderância epidemiológica de casos ligados ao mercado “não é uma miragem”.

“É uma coisa real”, concluiu ele. “Não é plausível que este vírus tenha sido introduzido de outra forma que não seja através do comércio de animais selvagens”.

Para reduzir as chances de futuras pandemias, os pesquisadores esperam poder definir exatamente qual animal pode ter sido infectado pela primeira vez e como ele foi infectado.

“Os ingredientes brutos de um vírus zoonótico com potencial pandêmico ainda estão à espreita na natureza”, pontuou Wertheim.

Ele acredita que o mundo precisa fazer um trabalho muito melhor na vigilância e monitoramento de animais e outras ameaças potenciais à saúde humana.

Andersen disse que, embora não possamos evitar surtos, a colaboração entre os cientistas do mundo pode ser a chave para a diferença entre uma doença de pequeno impacto e uma que mata milhões.

“A grande questão que precisamos nos perguntar é — na próxima vez que isso acontecer, porque vai acontecer — como vamos detectar esse surto precocemente e prevenir para que ele não se torne uma pandemia?”.

Fonte cnnbrasil
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