PF pede a Alexandre Moraes que marque novo depoimento de Anderson Torres para 23 de janeiro

Solicitação inicial foi feita pela defesa do ex-secretário de Segurança e ex-ministro da Justiça. Na quarta (18), equipe da corporação foi até batalhão onde ele está preso, mas ficou em silêncio; Torres é investigado por suspeita de omissão durante atos terroristas em Brasília.

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Polícia Federal enviou um documento ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que novo depoimento do ex-secretário de Segurança e ex-ministro da Justiça Anderson Torres seja marcado para a próxima segunda-feira (23).

A solicitação inicial foi feita pela defesa de Torres, e o documento entregue a Moraes é assinado pelo delegado da PF Raphael Soares Astini.

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Inicialmente, o depoimento estava marcado para quarta-feira (18). Pela manhã, uma equipe da PF foi ao 4º Batalhão da Polícia Militar do DF, no Guará, onde ele está preso. No entanto, acompanhado dos advogados, Torres ficou em silêncio.

Ele é alvo de investigação por suspeita de omissão na contenção dos atos terroristas cometidos por bolsonaristas radicais nas sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro. Na data, Torres chefiava a segurança pública do DF. Ele nega conivência com os atos (veja mais abaixo).

Durante a primeira tentativa de depoimento, a defesa do ex-secretário pediu a remarcação do encontro para a próxima segunda. Os advogados alegaram que não tiveram acesso aos inquéritos nos quais Torres é investigado e que ele “esclarecerá sob tudo que lhe for perguntado tão logo a defesa tenha acesso aos autos”.

Prisão

 

O ex-ministro foi preso no sábado (14), por ordem de Alexandre de Moraes. Quando a prisão foi decretada, no dia 10 de janeiro, Anderson Torres estava de férias com a família nos Estados Unidos. Após a ordem, ele voltou ao país e foi detido no Aeroporto de Brasília.

Durante uma operação realizada pela Polícia Federal na casa do ex-ministro, foi encontrada uma minuta de um decreto para instaurar estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mudar o resultado das eleições de 2022.

Anderson Torres afirma que recebeu o documento de populares e que pretendia descartá-lo.

Anderson Torres em foto de 15 de junho de 2022, quando ainda era ministro da Justiça do governo Bolsonaro. — Foto: REUTERS/Adriano Machado/File Photo

Cela em batalhão

 

Segundo um relatório obtido pela TV Globo, Anderson Torres dorme em um beliche e tem acesso a uma antessala com sofá que, de acordo com o documento, está “em péssimo estado de conservação (assento rasgado)” e uma mesa com quatro cadeiras.

Torres também pode usar os armários abertos do local e tem acesso a um banheiro que mede cerca de 1,5 m por 2,5 m. Há, ainda, um alojamento adjacente, composto por uma antessala em que há apenas um frigobar.

Também de acordo com o relatório, foi autorizado que o local recebesse a instalação de micro-ondas e TV. O corredor de acesso à Sala Maior foi isolado e tem policiamento em guarda 24 horas por dia para controle de acesso.

4º Batalhão da PMDF, onde Anderson Torres está preso — Foto: TV Globo/Reprodução

Pedido de atendimento psicológico

 

O relatório indica, ainda, que Torres solicitou atendimento psicológico. “De imediato, determinei que o Comando do BAVOP mantivesse contato com a Gerência de Saúde Prisional para disponibilizar o atendimento”, diz o documento.

Nesta segunda-feira, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) realizou vistoria no local e na cela onde está Fábio Augusto Vieira, o ex-comandante-geral da PM.

“Os promotores verificaram que as instalações são compatíveis com uma sala de estado maior, e que os presos não têm nenhum tratamento preferencial”, diz o Ministério Público.

 

O que diz Anderson Torres?

 

Horas após os atos terroristas em Brasília, na madrugada do dia 9 de janeiro, Anderson Torres se pronunciou pelas redes sociais, repudiou os ataques e negou conivência com os vândalos bolsonaristas.

“Lamento profundamente que sejam levantadas hipóteses absurdas de qualquer tipo de conivência minha com as barbáries que assistimos”, escreveu.

 

Na oportunidade, ele chamou os atos antidemocráticos de “execrável episódio”. “Em um caso de insanidade coletiva como esse, há que se buscar soluções coerentes com a importância da democracia brasileira”, disse.

Após a decretação da prisão, Torres informou que interromperia as férias nos EUA e voltaria ao Brasil para se entregar à Justiça.

“Hoje (10/01), recebi notícia de que o Min Alexandre de Moraes do STF determinou minha prisão e autorizou busca em minha residência. Tomei a decisão de interromper minhas férias e retornar ao Brasil. Irei me apresentar à Justiça e cuidar da minha defesa”, afirma Torres.

“Sempre pautei minhas ações pela ética e pela legalidade. Acredito na justiça brasileira e na força das instituições. Estou certo de que a verdade prevalecerá”, declarou.

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