Grupo de Carlesse usou refugiado haitiano como laranja, diz Polícia Federal em relatório

PF achou extrato bancário no notebook de Quaresmin com saldo de R$ 420 mil.

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O grupo ligado ao governador afastado do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL) e ao sobrinho dele, o ex-secretário Claudinei Quaresemin, teria usado como laranja um refugiado haitiano que trabalhava como pedreiro em Balneário Camboriú (SC).

A informação consta no relatório da Polícia Federal elaborado após a operação que teve como alvo o governador e foi revelada pela coluna Painel da Folha de S. Paulo.

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O haitiano tinha renda de cerca de R$ 1.000 (mil reais), mas um extrato bancário em seu nome achado no notebook de Quaresmin exibe saldo de R$ 420 mil.

Em depoimento à PF, Miciale Pierre afirmou que seu contratante em Santa Catarina, Rafael Augusto de Souza, pagava R$ 500 a mais por mês para colocar uma empresa em seu nome, sem dizer o motivo.

O extrato mostra depósitos de até R$ 30 mil feitos pela empresa. O extrato também conta com transações de até R$ 60 mil feitas pela plataforma de pagamentos digitais Linkpay, que, segundo a PF, também era usada por Quaresemin.

O relatório aponta similaridade entre os números dos cartões de Miciale e Quaresemin, o que pode sugerir que sejam titular e adicional.

Boletos bancários que haviam sido apagados do notebook de Quaresemin indicam situações similares de possível uso de laranja: pessoas com pouca renda que constam como pagadoras de boletos de até R$ 75 mil.

O relatório da PF também aponta que Carlesse teria mandado comprar materiais de pesca supostamente utilizando dinheiro de propina do Hospital de Urgência de Palmas.

A Procuradoria-Geral da República afirmou, em manifestação enviada ao ministro Mauro Campbell, do STJ, que o grupo de Carlesse recebeu R$ 9,5 milhões entre 2018 e 2021 e desse total ao menos R$ 7,8 milhões não tem explicação para a origem.

O QUE DIZ A DEFESA?

O advogado de Carlesse, Nabor Bulhões, diz que os procedimentos instaurados até agora são inquisitoriais e encontram-se em segredo de Justiça. Ele afirma que nem o governador nem sua defesa tiveram acesso ao relatório e que nada do que se produziu na investigação vem observando as garantias da defesa.

“Como a experiência tem mostrado, lamentavelmente, nessa fase inquisitorial, os investigadores não têm escrúpulos em transformar muitas vezes fatos comuns da vida em especulações sobre cometimento de crimes“, afirma Bulhões.

O advogado também diz que, em casos dessa natureza, investigadores vazam documentos para “transformar suas conjecturas e presunções em provas de crimes, expondo os investigados e invertendo toda a lógica do sistema de garantias do sistema penal: presunção de inocência — e não de culpabilidade!”.

Fonte afnoticias
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