Depoentes parecem proteger Bolsonaro na CPI, diz senador oposicionista

Para Humberto Costa (PT-PE), CPI da Pandemia já fez governo de movimentar para comprar vacinas contra a Covid-19

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Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (9), o senador Humberto Costa (PT-PE), que é titular da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, avaliou que depoentes ligados ao governo federal têm preferido preservar o governo e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante suas oitivas, o que seria produto ou de uma mitomania, transtorno psicológico que leva o doente a mentir compulsivamente, ou de “um fechamento bem articulado” feito pelos depoentes.

Costa, médico e ministro da Saúde no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que no final da CPI “isso tudo vai fazer parte do relatório” a ser produzido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), e que “cada um vai ter que arcar com a sua responsabilidade”.

Sem mencionar nenhum nome, o senador petista disse que talvez alguns dos depoentes “vivam praticamente em uma realidade paralela, acredito que alguns acreditam naquela afirmações, naquelas inverdades”.

As falas de Humberto Costa foram em resposta ao questionamento a respeito das contradições do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que primeiro creditou à falta de “validação política” a saída da médica Luana Araújo do Ministério da Saúde e, posteriormente, falou que a decisão foi dele próprio, por falta de “conciliação entre os médicos” que ele quer em sua gestão.

Também à CPI, o ex-secretário-executivo da Saúde, Elcio Costadisse que a compra da Coronavac nunca havia sido cancelada pela pasta, mas também falou que houve “interpretação equivocada” por parte do Instituto Butantan sobre a intenção de compras de doses do imunizante. Na sequência, afirmou que o ministério não tinha intenção de comprar “vacinas chinesas”.

“Há a hipótese de que há um fechamento muito bem articulado daqueles que vem ali depor e que têm vínculos com o governo para preservar o presidente Bolsonaro e preservar o governo. Às vezes se contradizem entre si, sempre no afã de tirar o foco da discussão e da investigação do presidente da República, aí usam esse estratagema de mentir de forma descarada”, disse Humberto Costa à CNN.

Resultados da CPI

O senador por Pernambuco afirmou que a CPI da Pandemia já conseguiu produzir uma mudança de postura do governo federal em relação ao combate à Covid-19, especialmente no que diz respeito à aquisição de vacinas contra a doença.

“Eu acho que já há efeitos desse trabalho de fiscalização por parte do Senado Federal. Nós vimos mudanças na equipe de governo, nós vimos uma movimentação para aquisição de novas vacinas”, pontuou. “Tudo isso tem a ver com a preocupação que eles [os governistas] têm com o desgaste que essa falta de vacinas, que essa péssima gestão do enfrentamento da pandemia [geram]”.

Costa destacou que o governo já fala na compra de até 600 milhões de doses de imunizantes contra a Covid-19 e que todos os brasileiros adultos poderão ser vacinados até o fim deste ano. Embora “não bote fé” nas projeções governistas, essas perspectivas seriam, na opinião do senador, resultado da CPI.

Quebras de sigilo

Questionado sobre possíveis quebras de sigilo que podem ser solicitadas pela CPI, Humberto Costa disse que elas devem ser feitas com cuidado e, se forem aprovadas na comissão, que sejam “bem fundamentadas”, para evitar que o governo, que é minoritário na CPI e por isso não tem o controle do inquérito, não use essas eventuais determinações para atacar a comissão.

“Tem havido muito mais cautela da nossa parte”, reconheceu o parlamentar. “Há também entre nós [a maioria] aqueles que acham que não se deve mexer nisso. Eu, pessoalmente, acho que sim. É preciso e é necessário. No adequado momento nós vamos fazer”, adiantou.

Conforme apuração do analista de política da CNN Caio Junqueira, o G7, grupo de senadores de oposição e independentes que é maioria na CPI e do qual Costa faz parte, fechou acordo para votar cinco quebras de sigilo, que devem ser votadas na sessão de quinta-feira (10).

Devem ser votados pedidos de quebra de sigilo telefônico e telemático do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, do assessor da Presidência da república Filipe Martins, da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro e também do advogado de Pazuello, Zozer Hardman.

Fonte cnnbrasil
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